quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

tiago araújo / sj-02



falo-te da fragilidade do corpo
que culmina na dança
o corpo a redemoinhar ao vento que nasce
no fundo do estômago
arqueando os braços rodando-o sobre um pé.
se pegar em ti posso quebrar-te
os membros
com a força dos meus braços hidráulicos.
(o controlo da força
é a arte da dança.)
esta será sempre a representação mais aproximada
do movimento dos nossos corpos quebradiços
em vertigem num quarto vazio
numa praça nocturna:
o medo de tocar-te nos pontos mais frágeis;
o movimento circular em volta das praças
em busca dos pontos.
porque o teu corpo só se ergue inteiro
quando te despedaças contra os meus braços
abertos.



tiago araújo
fórmulas

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