justo jorge padrón / desvaneces-te ao amanhecer
Desvaneces-te ao amanhecer.
Só fica a tua sombra entre as minhas mãos,
uma presença de ar, desejo e sonho e riso
que dissipa o seu incêndio consumido.
Com desespero procuro o teu corpo.
o fugaz testemunho, esse deleite
de toda a tua fragrância derramada,
ainda cativa da minha pele.
Cintilas pela minha medula como um latido unânime,
como uma cega música que habitasse no meu ouvido,
com o seu calor, com a sua vibração de fundo,
com a sua presença invisível no silêncio.
Passo da paixão à demência
perseguindo o teu espectro, a miragem
de uma imagem que ascende pela escala nocturna,
levando-te despida entre os seus braços.
justo jorge padrón
extensão da morte
1998
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